Toda a timidez será julgada.

Posted: terça-feira, 28 de agosto de 2012 by Paraíba in
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 Toda a timidez será julgada
Todo o provérbio será passado
Todo o passado será presente
Todo o presente será depois.

Toda a caridade será coloquial
Todo o coloquial será português
Todo o português será Portugal
Quando toda a Europa queimar doente.

Todo o dadaísmo será banalidade
Toda a banalidade será revolução
Todo o burguês será revolução
Toda a tristeza será revolução.

Todas as estrofes serão quadras
Todas as regras serão parnasianas
Todo o Parnasús será grego
Pois o Parnasús Brasileiro será feroz.

Toda a tuberculose será Bandeira
Toda a bandeira deve ser saudada
Toda a saudação vira juramento
E todos os juramentos serão quebrados.

Todo o subjetivo será entendido
Usando a linguagem dos vencedores
Todo o objetivo morre subjetivo
E será guardado no arquivo do depois.

Toda a impressão será julgamento
E toda a pena no fim é morte
Toda a morte nada será
Pois tem no não ter o seu eu final.

Todo o psicodélico será ignorante
E toda a ignorância será genial
Todo o arco-íris será negro
Pois o que é colorido é psicodélico.

Toda a condenação será cancelada
Pois o todo quando é todo não é nada
A amplitude do existir nada significa
Pois no fim todas as regras são infelizes.

Isso aqui é pra você.

Posted: quinta-feira, 22 de dezembro de 2011 by Paraíba in
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Esse texto é pra você.

Isso você mesmo, menina ou menino superficial.

Veja só, finalmente alguém além de você mesmo começou a realmente se importar com o que você fala. Tudo bem que o grau de importância que você dá a si mesmo já vale por toda a falta dos outros.

Você que realmente acha que vai conseguir sobreviver com as aparências. Você que dá tanto valor à moda, e despreza as outras artes.

É meu amigo, to escrevendo pra você. Por que o mundo é muito maior do que isso que você adora. Você ama a imagem, mas nunca parou pra pensar o que essa imagem traz o que ela tem pra dizer pra você.

Estou escrevendo por que me preocupo. Não só contigo. Mas com o mundo que depende de você mais do que você imagina, enquanto você está aí, preocupado em julgar as pessoas ou ditar o que elas devem ou não fazer.

A pegadinha é que enquanto você dita o que os outros devem fazer, tem gente dentro da sua televisão, do seu livro, da sua revista ou do seu computador que está ditando o que você deve fazer. E você, que se julga tão esperto, cai direitinho na armadilha deles.

Pode pensar que este texto não serve pra nada. Você vai estar certo. O que um simples blogueiro do interior do RS pode fazer contigo? Nada.

Por que eu quero te ajudar. Esse texto não é uma banalização, amigo superficial. Esse texto é um aviso. Daqu ia alguns anos você vai parar e perceber o quanto a sua vida foi patética e vazia, o quanto você pisou em quem merecia não ser pisado, o quanto você valorizou quem não devia ser valorizado. E vai chorar. Chorar muito.

Um choro, por sinal, nada bonito.

Um dia maravilhoso.

Posted: quinta-feira, 29 de setembro de 2011 by Paraíba in
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Hoje vai ser um dia maravilhoso.


Você vai acordar e torcer seu pescoço. Se espreguiçar lentamente e apagar todos os vestígios de uma noite mal-dormida que você pode ter tido.

Seu café da manhã vai ser ótimo. Todas aquelas porcarias naturebas vão parecer extraordinariamente gostosas. Você vai comer bem, se sentir satisfeito e saudável.

Aula, trabalho, tudo isso seria nada para você. Você venceria todos os obstáculos, todas as tarefas, tudo o que te atrapalha ou te poem pra baixo seriam meras pedras no sapato. Você é maior que isso. Você vai vencer todo mundo.

Aquela pessoa.

Sabe aquela pessoa?

Aquela mesma, que martela a sua cabeça noite e dia. Aquela pessoa tão importante, mas tão importante que te faz gastar a porcaria de um paragrafo inteiro no seu texto falando dela.

Se isso é um dia maravilhoso, deve dar certo com ela, não é?

Certos filósofos de certos lugares (bares, antros da filosofia útil) dizem que "sorte no jogo, azar no amor". Eu discordo, e lanço minha nova vertente filosófica, o Tudismo. Sorte em TUDO, azar no amor. Amor e sorte na vida, no dia, na hora, não combinam. O melhor momento da sua vida nunca vai casar com o melhor momento do seu coração.

Quem sabe seja teológico. Quem sabe seja uma espécie de justiça, como o amor compensasse a falta de todas as outras coisas. O amor está para a vida como o Espadão está para o truco, a carta master, aquela que anula e/ou compensa o restante.

Eu não. Quero o Tudismo. Quero por inteiro. Se Branca de Neve, Superman e Indiana Jones sempre terminavam com tudo, por que não eu? A Ficção não se inspira na realidade? Ou é uma realidade utópica feita para fracassados como eu?

Minha mãe tinha vergonha de mim quando eu era menor por que eu tinha a auto-estima muito baixa. Ela costumava dizer que esse tipo de coisa não se dizia em público. Então pera, eu tenho que me contentar com a vida e seguir adiante? Por que eu não posso perguntar, querer, sentir, falar?

As pessoas e seus livros de auto-ajuda acham que faz muito sentido acreditar e confiar incondicionalmente em sí mesmo. Eu continuo duvidando. Duvidando até da minha própria fé.

Duvidando até de dias maravilhosos.

Texto de amor.

Posted: domingo, 14 de agosto de 2011 by Paraíba in
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Esta pode ser a primeira linha de um texto de amor.

De que adianta escrever, sem sucesso? De que adianta escrever, sem reconhecimento?

Vou mesmo é escrever sobre amor. Inventar uma amante imaginária e jurar tudo o que posso pra ela. Usar de todos os recursos linguisticos repetitivamente apenas para dizer "Eu te amo".

Vou mesmo é escrever sobre amor. Vender milhões com textos dos mais variados gêneros para pessoas sozinhas que querem usar de redes sociais para retransmitir minha literatura.

Vou mesmo é escrever sobre amor. Por que todos os outros assuntos já perderam a graça.

Isso mesmo, ser escritor, blogueiro e afins hoje se tornou uma grife. Escrevemos sobre o que as pessoas querem ler. No auge dos anos 60, início real da adolescência, textos sobre fantasia faziam sucesso, pois afastavam as pessoas do mundo belicoso em que viviam.

A bola da vez é o amor. Destrinchar melosamente tudo sobre as relações humanas. Ser copiado por diversas pessoas e considerar isso uma glória. Será que o mundo está tão afastado, todo mundo está tão fútil, que nós precisamos tanto do amor na arte?

Escritores amorosos fazem parte, praticamente, de um grupo de elite. Se você escreve, é fracassado e está perdendo seu tempo. Mas se escreve sobre amor, é uma pessoa sensível que entende o mundo a sua volta.

Já virou uma doença. A mediocridade sendo disfarçada pela melosidade. Cadê Kafka, Douglas Adams e afins? Cadê os grandes mestres da acidez, os reis da irônia, aqueles que nos faziam rir, chorar e pensar na nossa inutilidade com utilidade?

Estes se foram. Não existe espaço mais para Machado de Assis. Este foi morto, e, de seu pó, nada mais sai de útil.

O que as pessoas buscam nos textos sobre amor é o que elas buscavam nas novelas antigamente. Uma história de aventura sem aventura. Uma grande obra com vários núcleos omitidos, onde só sobre o final feliz.

A comunicação atingiu ares inimagináveis. As pessoas estão viciadas nisso. Elas precisam twittar a cada 10 minutos no mínimo ou morrerão. Elas precisam de seus computadores, de seus celulares. Precisam falar pra alguém algo que pensam, ou, até mesmo, falar alguma coisa sem sentido.

A literatura amorosa compensa isso. Se você não tem o que fazer, entre no site de algum escritor de segunda linha e pegue uma frase dele. Por mais diferente que seja a sua situação, as pessoas nem vão notar.

Eles parecem, na verdade, com horóscopos. Não importa qual seja o seu signo, a mensagem sempre vai funcionar pra você. Se eu invertesse a mensagem, você nem perceberia.

Esta universalidade me irrita. Gosto do particular, do não mundano, da exceção. Gosto daquilo que realmente parece ter sido feito por mim, e não um genérico que pode ser feito para qualquer um.

Consuma. Leia. Poste. Tweete. Ame. Odeie. Só que faça você. Não faça uso de genéricos, por que eles sempre podem dar indigestão.

Esta linha poderia encerrar um texto de amor. Mas eu sempre preferi o amargo ao doce.

Virtualidades e um novo design.

Posted: domingo, 31 de julho de 2011 by Paraíba in
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Nunca fui dado a virtualidades. Sempre me incomodei em aprender a usar computadores, vídeo-games e etc.


Meus mais caros amigos, ao contrário, sempre foram "micro-especialistas" no ramo, o que as vezes até me deslocava do centro das conversas. Nunca sabia sobre os novos lançamentos da nintendo, ou se um netbook era uma compra mais acertada que um computador convencional.

Sempre preferi aquele ideal mais romântico, mas cavalheiresco. Sempre preferi meus livros, meus filmes, a solidão de minha casa. Ou mesmo as ruas, as comunicações de carne e osso, onde se pode sentir o calor humano da alegria, ou o aço gelado da tristeza.

Mas nunca fu ide desprezar as paixões de terceiros. Hoje em dia, ser íntimo do fio e do cobre é essencial. Ou, pelo menos, ter amigos que saibam manejar muito bem tudo o que for relacionado a eles.

O novo design do Problema Constante foi feito pelo leal amigo João Feijó (@JFeijo), que, muito prestativo, se prontificou imediatamente ao trabalho. Ele captou exatamente o meu espírito, o que eu penso, meu estilo meio poético, meio Motor Rock. Acho que só um amigo poderia fazer esse tipo de coisa.

Podemos não ser bons em tudo. Mas precisamos de alguém que seja bom no que não somos.Valeu João!

Noite vazia.

Posted: sábado, 30 de julho de 2011 by Paraíba in
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É a pior parte da noite. Você não quer deitar, mas sabe que vai acabar indo pela solidão.

Sua mãe (ou pai, se você tiver um em casa) já dorme. Seus irmãos também. O barulho da televisão ligada levianamente na sala é misturado com o som da música que toca pela quinquagésima vez no seu Media Player, mas você esqueceu-se de tirar.

Seus amigos começam a anunciar em diversas redes sociais que estão indo. Você sabe que você é o próximo. O sono é como um serial killer daqueles filmes de horror baratos. Não importa aonde você esteja, ele vai querer te alcançar. Ceifando toda a sua potência, toda a sua vontade de se manter vivo.

Procurar alguma coisa pra fazer é muito mais que mera vadiagem. É um estilo de vida. É o Santo Graal daqueles que necessitam desesperadamente de entretenimento. Mas quanto mais os minutos passam, mais você sabe que a tarefa não vai ser concretizada.

Você podia muito bem ter achado algo para fazer hoje. Mas não. A internet é como o lendário Titã Cronos, devora os nossos minutos um a um até só restar um fiapo de nossa vontade, até nos limitarmos a subsistência.

A pior parte é quando você começa a refletir. Começa a pensar se os outros dias, se as outras noites serão assim. Esses minutos de aflição parecem não ter fim. Você quer a sua cama, quer o silêncio protecionista do sono, o maior paladino contra a depressão.

Que noite horrorosa. Que dia horroroso. Nada merece dar certo para você. Nada.

Então, aquela pessoa te liga.

“Não foi nada, só queria ouvir sua voz.”

“Tudo bem contigo né?”

“Dorme bem, viu?”

Que noite maravilhosa. Que dia maravilhoso. Tudo vai dar certo. Sempre.

Dedicado a Sabrina Barreto (@sabrinab_) que inspirou este post.

Poeira.

Posted: quinta-feira, 7 de julho de 2011 by Paraíba in
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Essa imagem acima é uma foto tirada por astrônomos.

O que ela representa?

Poeira espacial.

Pequenas moléculas de carbono, insignificantes perante a maestria dos astros.

Sabe o que é engraçado?

Nós viemos disso.

Sim,um hipopótamo, uma ratazana, até mesmo um leão não se impressionariam com isso.

Mas nós, seres tão superiores, nos surpreendemos toda a vez que ouvimos isso.

Não conseguimos aceitar o simples fato de que a nossa matéria prima é a mesma que tudo o que existe no universo.

A mágica da nossa existência é tão bela quanto a mágica da existência de uma reles bactéria.

Eu sou diferente.

Eu gosto disso. Gosto da idéia de que no fundo, não existem diferenças e que no início, todos nascemos de um mesmo pai (ou mãe, que me perdoem as feministas), de uma mesma fonte, de um mesmo átomo. Vejo poesia no fato do sol, das estrelas, dos planetas, tudo ter sido concebidos do mesmo ventre.

E o que podemos fazer com isso? Seguir em frente. Usar o que temos de melhor para um futuro novo, e não para tentar esquecer o nosso papel na totalidade do universo, mas confirmá-lo.

É um mundo muito grande, mas que pode se tornar pequeno, se nos lembrarmos que, no início, éramos todos a mesma coisa.