Vocal.

Posted: domingo, 14 de abril de 2013 by Paraíba in
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O grito é diferente, depende
para quem, para que. Para quando.
A traqueia, a corda, a raiva.
A voz que tenta freneticamente ser estrela, ator.
E por, justapor, frutacor:
VER-ME-LHO.
Aquele que berra não precisa ouvir,
nem aprender.
No meio da confusão de ondas sonoras,
Multilaterais, incríveis, adjetivas, virguladas.
Encontrei-me com um nome, um RG e um telefone.
Mesmo sem pertencer à dita cuja humanidade.

A música triste.

Posted: domingo, 27 de janeiro de 2013 by Paraíba in
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Os beijos de fogo e fumaça,
Não respeitam família, não respeitam a dor.
Só respeita o fogo a fumaça,
Só respeita a fumaça o fogo.

A fumaça tem o gosto estranho
De entrar em lojas de discos usados
E comprar só as músicas tristes
Pra ressoarem em nossas almas.

Mas é da tua carne, da tua forma, do teu corpo
Que vem a solução.
Carne, que parece inválida perante a morte
Traz consigo a função sagrada
De compor a sinfonia.

Sai dela um piado fino, delicado,
Quase um sussurro.
A música de todas as mocas doces.
A música que só ouvirá quem sabe a dor
Que passam os sensíveis.

E esse som, tão fraco
Há de quebrar todos os discos de todas as lojas
(de todas as músicas tristes)
E permanecer, depois da morte,
Depois da tristeza,
Depois de mim.

Pra Mariana, pro Marcelo, pro Pedro, pra Allana, pra Maria e pra todos aqueles que serão jovens eternamente.

Interior.

Posted: segunda-feira, 31 de dezembro de 2012 by Paraíba in
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Entro, a procura da solução de todas as mazelas, todas as mortes.
(Mas onde me achava profundo, senti-me raso, litossolo)
[De final facilmente encontrável. Decifrável. Simplista.]
{Dos batimentos cardíacos, da sístole do ser, achei um buraco fundo},
([{E de tanto cavar, contemplei as camadas e enxerguei-me pleno}]).

A capa do livro.

Posted: domingo, 9 de dezembro de 2012 by Paraíba in
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A capa do livro quer me dizer algo.
Um grito, um sussurro,
Um apelo, um murro.
Mas para mim só vem o urro.

Pequeno poema mundanista.

Posted: segunda-feira, 29 de outubro de 2012 by Paraíba in
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Quando escrevi, um crítico literário,
Destes que vivem do passado,
Chegou para mim e disse:
-Vai gauche, ser Carlos na vida!

A vida só é possível,
Se ela é copiada.

Churros com coca,
Churros com coca,
Churros com coca,
Churros com coca,
O que é isso meu poeta?

É o mundo sem razão!

Pensem nos escritores,
Pobres coitados!
Pensem nas suas mulheres,
Ingratas, mal-amadas.
Mas oh, não se esqueçam
Que do riso, fez-se o pranto.
E o poema, posto que é chama,
Ficou eterno em sua mesmice.

Elétrons.

Posted: sexta-feira, 19 de outubro de 2012 by Paraíba in
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A luz do poste está palpitando lá fora.
Uma batida por segunda, que nem meu coração.
Do escuro sensual, fez-se o infarto.
Do rompimento, o miocárdio.

Transcendem elétrons, transcendem emoções,
Só não transcende aquilo que fica.
A massa putrefata pelo eletrochoque.
O eletricista estatelado na calcada.

Havemos de vencer a carne.
Ser o Homem sem osso
Sem homem, sem tudo.

Andar, abraçados rumo ao abismo
Com o poste telefônico de minha rua
palpitando lá fora.

Auto falante quebrado.

Posted: domingo, 7 de outubro de 2012 by Paraíba in
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Deitado aqui nesse
Colchão de molas em hotel barato,
Por este paguei apenas alguns cruzeiros
Por uma noite mal dormida.

Contemplo tudo o que pode ser contemplado.
A infiltração nojenta que vem do banheiro,
O rato que rói a roupa, não a do rei,
Mas a minha.

A aliança de bronze que aperta o meu dedo.

Gostávamos do bronze.
Sempre fugimos do clichê
Permeado de prata e ouro.
Fugir só por fugir.
Correr só por correr.
Qual a graça da paixão
Se nem se pode ser diferente?

E toda a vez que olho esta aliança,
Não importa onde esteja,
Lembro-me daquele sorriso encovado,
De dentes que ficavam puros e alvos,
Perante a pele mameluca.

O cabelo escorrido, liso e negro
Como a própria sombra que de mim brota.
A aliança pesa mil toneladas e aperta.
Aperta o meu anular em memórias,
Aperta a aorta, a coisa morta,
Meu coração.

Aperta por que lembra,
Há uma noite, antes do hotel, antes do rato.

A noite em que eu a matei.