Sem cor.

Posted: sexta-feira, 14 de setembro de 2012 by Paraíba in
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Os beijos da cegueira são os beijos da verdade.
É deitar-se no campo disforme do rompimento.
Gritos ocos, tão cheio de eco.
Vão contra a forma, a rima
A menina.
O tema.

A fé que não pode ser vista, só cheirada.
Um cheiro atômico de meias palavras
farejadas pelo cão guia
que vê sem cores, sem sabores,
a religião do cego.

A fé do ventre macio e escuro
não tem o interior róseo da mulata
mas tem a ignorância sábia
do verbo acreditar.

É não ver, para crer.

Cancão da quase morte.

Posted: domingo, 9 de setembro de 2012 by Paraíba in
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O tempo silenciou a minha revolução,
Tirou a pólvora do meu rifle,
Calor o meu discurso.

Tenho em mim um Bento Ivo
Louco por berrar até o saltar das veias.
Mas não salta. Não berra.
Nos anos 2000.

Amarelo pisca nos olhos do robô
Engrenagens giram ao óleo natural
Lustram a máquina, lustram o futuro.

Só não lustram a vida.

Bonita é esta retrospectiva
Esta era dos livros de história,
Onde mesmo os erros dos brutos
Ficam belos aos olhos nostálgicos.

Acabou-se o complexo de vira lata.
Reinou o complexo geriátrico.

Quero a revolução agitada.
A revolução do celular.
A revolução sem antiquário nem móvel antigo.

A revolução musicada.

A revolução que não toma antidepressivos
Aos treze anos de idade.

Queria ter letra bonita.

Posted: sexta-feira, 7 de setembro de 2012 by Paraíba in
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Queria pintar letra bonita
Mas não consigo fazê-la
Minhas moedas de ouro não a compram
Nem minha liberdade, nem minha lealdade.

Tentei até moedas de prata
Mas elas só conseguem comprar traidores.

Queria ter letra bonita
Para entender este poema
De que vale o que e real
Se o real não for compreendido?

Afinal, é real o que se entende
Ou é real o que existe?

As cartas.

Posted: domingo, 2 de setembro de 2012 by Paraíba in
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Tu que desfilas sob os holofotes
de peito aberto, vento no abdome.
Mas tu não és livre.

Não farão estátuas para ti,
nem darás teu nome à cidades,
que hão de ser saqueadas
pelos bandidos de terno.

Só te sobrarão as cartas,
que receberás cada vez menos
na medida que envelheces.

E também os cheques perderão os fundos.
Serão o fim do teu poço infinito.

E quando chorares lágrimas sinceras
Nas cartas de amor falso,
lembrarás do passado, tão errado.

Lembrarás que nada foi.

Toda a timidez será julgada.

Posted: terça-feira, 28 de agosto de 2012 by Paraíba in
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 Toda a timidez será julgada
Todo o provérbio será passado
Todo o passado será presente
Todo o presente será depois.

Toda a caridade será coloquial
Todo o coloquial será português
Todo o português será Portugal
Quando toda a Europa queimar doente.

Todo o dadaísmo será banalidade
Toda a banalidade será revolução
Todo o burguês será revolução
Toda a tristeza será revolução.

Todas as estrofes serão quadras
Todas as regras serão parnasianas
Todo o Parnasús será grego
Pois o Parnasús Brasileiro será feroz.

Toda a tuberculose será Bandeira
Toda a bandeira deve ser saudada
Toda a saudação vira juramento
E todos os juramentos serão quebrados.

Todo o subjetivo será entendido
Usando a linguagem dos vencedores
Todo o objetivo morre subjetivo
E será guardado no arquivo do depois.

Toda a impressão será julgamento
E toda a pena no fim é morte
Toda a morte nada será
Pois tem no não ter o seu eu final.

Todo o psicodélico será ignorante
E toda a ignorância será genial
Todo o arco-íris será negro
Pois o que é colorido é psicodélico.

Toda a condenação será cancelada
Pois o todo quando é todo não é nada
A amplitude do existir nada significa
Pois no fim todas as regras são infelizes.

Isso aqui é pra você.

Posted: quinta-feira, 22 de dezembro de 2011 by Paraíba in
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Esse texto é pra você.

Isso você mesmo, menina ou menino superficial.

Veja só, finalmente alguém além de você mesmo começou a realmente se importar com o que você fala. Tudo bem que o grau de importância que você dá a si mesmo já vale por toda a falta dos outros.

Você que realmente acha que vai conseguir sobreviver com as aparências. Você que dá tanto valor à moda, e despreza as outras artes.

É meu amigo, to escrevendo pra você. Por que o mundo é muito maior do que isso que você adora. Você ama a imagem, mas nunca parou pra pensar o que essa imagem traz o que ela tem pra dizer pra você.

Estou escrevendo por que me preocupo. Não só contigo. Mas com o mundo que depende de você mais do que você imagina, enquanto você está aí, preocupado em julgar as pessoas ou ditar o que elas devem ou não fazer.

A pegadinha é que enquanto você dita o que os outros devem fazer, tem gente dentro da sua televisão, do seu livro, da sua revista ou do seu computador que está ditando o que você deve fazer. E você, que se julga tão esperto, cai direitinho na armadilha deles.

Pode pensar que este texto não serve pra nada. Você vai estar certo. O que um simples blogueiro do interior do RS pode fazer contigo? Nada.

Por que eu quero te ajudar. Esse texto não é uma banalização, amigo superficial. Esse texto é um aviso. Daqu ia alguns anos você vai parar e perceber o quanto a sua vida foi patética e vazia, o quanto você pisou em quem merecia não ser pisado, o quanto você valorizou quem não devia ser valorizado. E vai chorar. Chorar muito.

Um choro, por sinal, nada bonito.

Um dia maravilhoso.

Posted: quinta-feira, 29 de setembro de 2011 by Paraíba in
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Hoje vai ser um dia maravilhoso.


Você vai acordar e torcer seu pescoço. Se espreguiçar lentamente e apagar todos os vestígios de uma noite mal-dormida que você pode ter tido.

Seu café da manhã vai ser ótimo. Todas aquelas porcarias naturebas vão parecer extraordinariamente gostosas. Você vai comer bem, se sentir satisfeito e saudável.

Aula, trabalho, tudo isso seria nada para você. Você venceria todos os obstáculos, todas as tarefas, tudo o que te atrapalha ou te poem pra baixo seriam meras pedras no sapato. Você é maior que isso. Você vai vencer todo mundo.

Aquela pessoa.

Sabe aquela pessoa?

Aquela mesma, que martela a sua cabeça noite e dia. Aquela pessoa tão importante, mas tão importante que te faz gastar a porcaria de um paragrafo inteiro no seu texto falando dela.

Se isso é um dia maravilhoso, deve dar certo com ela, não é?

Certos filósofos de certos lugares (bares, antros da filosofia útil) dizem que "sorte no jogo, azar no amor". Eu discordo, e lanço minha nova vertente filosófica, o Tudismo. Sorte em TUDO, azar no amor. Amor e sorte na vida, no dia, na hora, não combinam. O melhor momento da sua vida nunca vai casar com o melhor momento do seu coração.

Quem sabe seja teológico. Quem sabe seja uma espécie de justiça, como o amor compensasse a falta de todas as outras coisas. O amor está para a vida como o Espadão está para o truco, a carta master, aquela que anula e/ou compensa o restante.

Eu não. Quero o Tudismo. Quero por inteiro. Se Branca de Neve, Superman e Indiana Jones sempre terminavam com tudo, por que não eu? A Ficção não se inspira na realidade? Ou é uma realidade utópica feita para fracassados como eu?

Minha mãe tinha vergonha de mim quando eu era menor por que eu tinha a auto-estima muito baixa. Ela costumava dizer que esse tipo de coisa não se dizia em público. Então pera, eu tenho que me contentar com a vida e seguir adiante? Por que eu não posso perguntar, querer, sentir, falar?

As pessoas e seus livros de auto-ajuda acham que faz muito sentido acreditar e confiar incondicionalmente em sí mesmo. Eu continuo duvidando. Duvidando até da minha própria fé.

Duvidando até de dias maravilhosos.